WASHINGTON – Em um movimento que ecoa as demandas por justiça social em todo o continente, lideranças e especialistas reunidos na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA) foram categóricos: o combate à desigualdade nas Américas não pode mais ser tratado com medidas paliativas. A conclusão do debate aponta que o racismo sistêmico e o patriarcado são as vigas mestras que sustentam a exclusão histórica de milhões, exigindo uma reforma profunda nas instituições do Estado.
O Diagnóstico: Mais que Preconceito, uma Estrutura
Para os palestrantes, a visão do racismo e do machismo como "comportamentos individuais isolados" é um obstáculo para a verdadeira mudança. As lideranças argumentam que essas opressões estão fundidas na arquitetura jurídica, econômica e política das nações americanas.
"Não estamos falando de falta de educação ou cortesia, mas de uma herança colonial que dita quem tem direito à terra, ao crédito e à vida", afirmou uma das representantes durante o painel.
Pontos Centrais do Debate:
Interseccionalidade: A urgência de políticas que entendam como gênero e raça se sobrepõem, penalizando duplamente mulheres negras e indígenas.
Justiça Econômica: A crítica à concentração de riqueza que se beneficia da precarização do trabalho doméstico e do subemprego de minorias étnicas.
Representatividade Real: A transição de uma presença "simbólica" em cargos de poder para uma governança que, de fato, tenha autonomia para redesenhar orçamentos públicos.
O Caminho para a Reforma
A OEA reforçou o compromisso de monitorar a implementação de convenções interamericanas contra a discriminação. No entanto, o tom das lideranças foi de cobrança: sem o desmonte das estruturas de privilégio, as democracias da região permanecerão frágeis e incompletas. A mensagem é clara: o tempo das promessas retóricas acabou; a era das reformas estruturais precisa começar.