Por Ivan Santos
A tragédia ocorrida em Salvador no domingo (23/08), marcada pela morte de um torcedor do Bahia em decorrência de embates com integrantes de uma organizada do Vitória, reabre uma ferida crônica no futebol brasileiro: a violência urbana travestida de paixão esportiva.
O episódio expõe a urgente necessidade de encarar o problema não como um fenômeno estritamente esportivo, mas como uma questão grave de segurança pública e de falha estrutural na prevenção da violência.
A transformação do espaço do futebol em campo de batalha evidencia o esgotamento dos modelos atuais de contenção. A adoção de torcidas únicas e a interdição temporária de adereços revelaram-se soluções paliativas, que apenas deslocaram os confrontos das arquibancadas para o sistema de transporte e os bairros periféricos. Enquanto a resposta institucional for focada na reação posterior e no banimento genérico de siglas, a impunidade continuará servindo como estímulo para a barbárie.
Superar essa crise exige a migração definitiva para a inteligência de segurança: rastreabilidade e biometria integrada, monitoramento preditivo de rotas e, sobretudo, a responsabilização criminal e individualizada dos executores e financiadores desses atos. O futebol é patrimônio cultural e espaço de convivência social. Reduzi-lo a uma contagem periódica de vítimas é aceitar a falência do Estado e das instituições esportivas diante do crime organizado.
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