Por: Ivan Santos
Editoria: Sintonia Fina
Ano de lançamento: 2015
Selo: Brainfeeder
Visão Geral
Com saxofones intensos, orquestrações grandiosas e uma espiritualidade contagiante, The Epic transforma o jazz em uma experiência sonora que atravessa gerações e aponta novos caminhos para o gênero. Lançado em 2015, o álbum triplo apresentou o saxofonista e compositor norte-americano Kamasi Washington a uma audiência internacional.
Estrutura & Sonoridade
Duração e Formato: Aproximadamente 172 minutos, divididos em 17 faixas.
Gêneros: Jazz espiritual, soul, funk e elementos de jazz fusion.
Formação Musical: banda base de 10 integrantes, acompanhada por uma orquestra de 32 músicos e um coral de 20 vozes.
Estilo: mistura de improvisação, arranjos elaborados e momentos de intensidade cinematográfica.
Entre Tradição e Renovação
A sonoridade do álbum bebe da fonte de grandes mestres, mas projeta o jazz para o futuro:
Influências: Traz referências marcantes da fase espiritual e experimental de John Coltrane, além de ecos de Miles Davis e do jazz fusion dos anos 1970.
Energia Contemporânea: dialoga com a vitalidade da música negra atual (a participação de Washington em "To Pimp a Butterfly", de Kendrick Lamar, ajudou a ampliar os holofotes sobre seu trabalho).
Acessibilidade: apesar da complexidade técnica, não se prende ao virtuosismo. Os grooves de funk, as linhas de baixo marcantes e a presença do coral criam pontos de conexão acessíveis até para quem não está habituado ao gênero.
Destaques do Repertório
Instrumentais e Arranjos Intensos: “Change of the Guard”, “The Next Step” e “The Magnificent 7”.
Toque Emotivo & Soul: “The Rhythm Changes” (com vocais de Patrice Quinn).
Outras faixas notáveis: “Askim”, “Re Run Home” e “The Message”.
Veredito
Cotação: ★★★★★ — Essencial
Essencial porque: amplia os horizontes do jazz contemporâneo ao combinar improvisação, força orquestral e espiritualidade em uma obra de proporções extraordinárias.
The Epic é uma obra ambiciosa que transforma a herança do jazz em uma experiência intensa, espiritual e contemporânea. Sua duração exige tempo do ouvinte, mas permite que as composições cresçam gradualmente, alternando momentos de contemplação, energia rítmica e explosões instrumentais. Kamasi Washington demonstra que tradição e renovação podem caminhar juntas, celebrando a história do jazz sem tratá-la como algo estático ou encerrado no passado.
https://youtu.be/NtQRBzSN9Vw?si=FgNiiGu3aull7DL-