Em algum bairro de Tóquio, vidas se acumulam. Uma universitária que largou o curso e não sabe o que fazer com os dias. Um jovem que pensa demais na morte quando não tem amigos para distrair. Um homem que descobriu tarde demais que ser pai podia ser a coisa mais simples e bonita do mundo. Uma garota que procura o amor num relacionamento que a entorpece.
Cada capítulo de Subarashii Sekai é chamado de "programa" pelo próprio Asano — com intenção dupla. Primeiro, a desorientação de trocar de canal: a velocidade com que pessoas e lugares mudam, sem aviso, sem continuidade. Segundo, a ideia de percurso — cada história como uma etapa de um caminho de crescimento coletivo que o leitor percorre sem perceber.
Não há protagonista. O sujeito principal é o próprio mundo — a realidade cotidiana que todos habitamos: brigas de família, bullying, insatisfação no trabalho, crises sentimentais, a absurdidade da morte e os instantes onde tudo, de repente, faz sentido. Asano oscila entre o cômico e o melancólico com facilidade desconcertante, criando personagens que parecem extraídos do ônibus ou do vagão de metrô em que você estava ontem.
Os dezessete primeiros capítulos constroem uma consciência coletiva. Os dois últimos — os que dão nome à obra — são o coração: a convergência de tudo que veio antes em uma afirmação simples, difícil e verdadeira sobre o que significa existir neste mundo específico, com este corpo específico, neste momento específico.