histórias e literatura: o universo musical de Paulo Pereira
Paulo Pereira · Compositor & Flautista
Sobre o artista
Paulo Pereira é compositor, instrumentista, pesquisador musical e ex-professor da Universidade de São Paulo, nascido em Fortaleza (CE). Após muitos anos atuando como músico e docente, consolidou sua carreira autoral com os álbuns Quixote (2023) e Sertão (2026) — obras que exploram ritmos brasileiros e dialogam com referências literárias, criando uma música marcada pela narrativa, pela melodia e pela identidade cultural brasileira.
Entrevistador
Você começou tocando na noite paulistana por muitos anos antes de lançar seu primeiro álbum autoral. O que o motivou, depois de tanto tempo como instrumentista, a finalmente gravar um disco só com composições próprias como "Quixote"?
Paulo Pereira
Sempre gostei muito de ser instrumentista e toquei por muitos anos na noite paulistana, que foi minha segunda escola além da Domus, do Pedro Mourão. Minha carreira como professor e pesquisador, somada à dedicação ao sax e à flauta, deixava pouco tempo para compor.
Ainda assim, eu sempre ouvia músicas tocando dentro da minha cabeça — às vezes conhecidas, outras completamente novas. Movido por isso, comecei a compor e não parei mais. Virou uma necessidade, que resultou em dois álbuns autorais: Quixote (2023) e Sertão (2026).
Paulo Pereira em estúdio, 2026
"Eu sempre ouvia músicas tocando dentro da minha cabeça — às vezes conhecidas, outras completamente novas. Movido por isso, comecei a compor e não parei mais."
Paulo PereiraEntrevistadora—
O álbum Sertão reúne ritmos como samba, bolero e baião. Como esses gêneros foram escolhidos e como se conectam à ideia central do disco?
Paulo Pereira
A maioria das músicas nasce primeiro na minha cabeça e, quando começo a tocá-las, o ritmo costuma surgir naturalmente — às vezes como bolero, baião, samba ou valsa. Em Sertão, senti que as melodias pediam esses gêneros, enquanto as letras foram sendo desenvolvidas de forma mais planejada, sempre conectadas à temática central do disco.
Flauta
Composição
Sertão · 2026
Literatura
& Sertão
Guimarães Rosa
Entrevistadora—
Suas composições têm forte inspiração literária. No álbum Sertão, além de Guimarães Rosa, que outras referências aparecem — e como elas se transformam em canções?
Paulo Pereira
A literatura é uma forte inspiração em Sertão, especialmente nas faixas Sertão e Tatarana, que dialogam diretamente com o universo de João Guimarães Rosa e com o personagem Riobaldo. Transformar literatura em canção é um processo delicado e exige muito trabalho e reescrita para evitar lugares-comuns.
Algumas músicas também nascem de memórias pessoais, como A língua da água, enquanto outras continuam histórias iniciadas antes, como Faltam estrelas no Céu da Cidade, que dá sequência a Boleia. No fim, minhas composições refletem essa mistura entre literatura, memória e narrativa musical.
A noite
paulistana
Onde tudo começou
Álbuns
Quixote
2023
Sertão
2026